Jan/01/2009 - 23:28:17
A Evolução da Mediunidade Através dos Tempos
A faculdade mediúnica, tanto natural como de prova, acompanha a vida humana, pois desde que o homem existe, os Espíritos estão prontos a se comunicar com ele. Um estudo da mediunidade através dos tempos exige uma ampla pesquisa no sentido de RESGATAR as contribuições dadas pelo homem da caverna, pelas pitonisas, pelas bruxas e pelos médiuns em cada etapa do desenvolvimento da sociedade.
Evolução - etimologicamente, o termo evolução, significa desenvolvimento, volver para fora o que já está contido em algo. Nesse sentido, evolução seria o desenvolvimento pela atualização das possibilidades, das potências já inclusas virtualmente em algo. Assim, o germe evolui até alcançar o indivíduo acabado. (Santos, 1965)
Evolução - é impositivo da Lei de Deus, incessante, inquestionável. Nessa Lei não existe o repouso, o letargo de forças, a inércia. Por toda parte e sempre o impositivo da evolução, o imperativo do progresso. (FEB, 1995)
Mediunidade é sintonia e filtragem. Cada Espírito vive entre as forças com as quais combina, transmitindo-as segundo as concepções que lhe caracterizam o modo de ser. (FEB, 1995)
3. HISTÓRICO
Tomando como base os registros históricos, podemos anotar:
Velho Testamento
Samuel, no livro I, cap. 9, v. 9, escreve: "Dantes, quando se ia consultar a Deus, dizia-se vamos ao vidente; porque os que hoje se chamam profetas chamavam-se videntes".
O próprio Moisés proíbe a evocação dos mortos.
Novo Testamento
Que foi o dia do Pentecostes senão a outorga de faculdades mediúnicas aos apóstolos e discípulos?
2.º) os horizontes culturais, retratados por J. H. Pires em O Espírito e o Tempo.
Situando a mediunidade em termos dos horizontes alcançados pela humanidade - em cada etapa de seu desenvolvimento - Herculano Pires, valendo-se das pesquisas científicas de Bozzano, John Murphy e outros, oferece-nos valiosas informações que são úteis de serem lembradas. Assim:
No horizonte agrícola, o animismo e culto aos ancestrais. Nessas primeiras formas sedentárias de vida social, o animismo tribal desenvolve-se no nível da racionalização, principalmente através da concepção fetichista da Terra-mãe e Céu-Pai, que mais tarde dá origem à mitologia egípcia: Osíris, Deus pai, que fecunda Ísis, deusa terra, gerando o filho Hórus.
No horizonte profético, o mediunismo bíblico. Esse horizonte caracteriza-se pelo mundo da individualização. O profeta apresenta-se como indivíduo social, mediúnico e espiritual. Assim, dado o avanço de sua liberdade, surgem também os excessos e abusos que caracterizam o indivíduo grego-romano e o profeta hebraico.
Kardec explica, em A Gênese, capítulo primeiro, porque o Espiritismo só poderia surgir em meados do século dezenove, depois de longa fermentação dos princípios cristãos da Idade Média e do desenvolvimento das ciências na Renascença. Escreveu: "O Espiritismo, tendo por objeto o estudo de um dos elementos constitutivos do Universo, toca forçosamente na maioria das ciências. Só poderia, pois, aparecer, depois da elaboração delas. Nasceu pela força mesma das coisas, pela impossibilidade de tudo explicar-se apenas pelas leis da matéria."
Em História do Espiritismo, Conan Doyle documenta boa parte da evolução da mediunidade, lembrando que embora se considere a data de 31/03/1848 como o marco inicial, os fatos espíritas existiram desde todos os tempos. A sua narrativa começa, assim, por volta de 1740, quando Swedenborg tornou-se famoso pela vidência a distância.
4. DOIS GRANDES MARCOS DO ESPIRITISMO
Em termos de destaque, no cenário público internacional, este fenômeno (raps) foi o que mais chamou a atenção. Observe que uma família metodista havia se mudado para uma casa, onde se falava muito de acontecimentos sobrenaturais. Realmente, por algum tempo eles presenciavam muito barulho, sem causa aparente. Tudo caminhava nesse ritmo quando, num certo dia, as filhas do casal, Kate e Margaret Fox, resolveram responder às pancadas.
"Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: "Sr. Pé-Rachado, faça o que eu faço". Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margaret disse brincando: "Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro" e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: "Oh! Mamãe! eu já seio o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira".
Depois disso, continuou o diálogo até descobrir que o Espírito comunicante era Charles B. Rosma, um caixeiro viajante morto e enterrado na adega.
O fato mediúnico marcante, após o episódio de Hydesville, é o fenômeno das mesas girantes, que assolou os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão, quando as mesas dançavam, escreviam, batiam o pé e até falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita.
Havendo uma disseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava. É aí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só se a mesa tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa a freqüentar essas sessões, culminando, mais tarde, com a publicação de O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857
A palavra positivo advém da ciência, que se baseia em fatos. Kardec sendo um cientista, deu-lhe um caráter científico, formulando hipóteses tal qual a ciência o fazia, tomando o cuidado apenas de testá-las com a ferramenta da mediunidade, ou seja, utilizando-se da percepção extra-sensorial.
A evolução da mediunidade através dos tempos deve alcançar uma melhor compreensão não só da mediunidade, mas também dos vários conceitos a ela ligados.
a) Fenômeno anímico e fenômeno mediúnico
Fenômeno anímico e animismo
Fenômeno Mediúnico e Mediunidade
Mediunidade e Espiritismo
Mediunidade Natural e Mediunidade de Prova.
Além da divisão fenomênica (fenômenos físicos e fenômenos inteligentes), a Doutrina Espírita oferece-nos a divisão funcional, ou seja, possuímos duas áreas de função mediúnica, designadas como mediunidade generalizada (natural) e mediunato (tarefa). A primeira corresponde à mediunidade que todos os seres humanos possuem, e a segunda corresponde à mediunidade de compromisso, ou seja, de médiuns investidos espiritualmente de poderes mediúnicos para finalidades específicas na encarnação.
De acordo com o Espírito Emmanuel, "Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia". (Xavier, 1981, p. 66 e 67).
7. CONCLUSÃO
A mediunidade é promissora para o futuro. Contudo, deve o médium esforçar-se para ser o fiel interprete das mensagens espirituais, aprendendo a renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e servir, isento de qualquer tipo de pagamento, moral ou material.
Dicionário de Ciências Sociais Rio de Janeiro, FGV, 1986.
EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
PIRES, J. H. O Espírito e o Tempo - Introdução Antropológica do Espiritismo. 3. Ed., São Paulo, Edicel, 1979.
XAVIER, F. C. Emmanuel (Dissertações Mediúnicas) , pelo Espírito Emmanuel. 9. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1981.
Fonte: Site Panorama Espírita
Autor: Sérgio Biagi Gregório
Sindicação
26/10/2009 @ 18:50:14
por Maria Helena
Referente ao comentário feito por Maria ...
26/10/2009 @ 02:46:37
por rosanemerat
Heloísa Helena: Eu ando nos blogs do ...
16/10/2009 @ 13:40:40
por Maria Helena
Bom Dia Maria Helena! Respondendo a você. Peço ...
08/10/2009 @ 15:01:51
por Heloisa Helena
Bom dia. A respeito do artigo ...
04/10/2009 @ 04:52:14
por FLAVIO FONSECA