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03 Maio 2014 

Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. – Bem- aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. – Bem- aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)
Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o reino dos céus. – Bem- aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. – Ditosos sois, vós que agora chorais, porque rireis. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 20 e 21.)
Mas, ai de vós, ricos que tendes no mundo a vossa consolação. – Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. – Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 24 e 25.)
Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza do futuro, estas máximas seriam um contra-senso; mais ainda: seriam um engodo. Mesmo com essa certeza, dificilmente se compreende a conveniência de sofrer para ser feliz. E, dizem, para se ter maior mérito. Mas, então, pergunta-se: por que sofrem uns mais do que outros? Por que nascem uns na miséria e outros na opulência, sem coisa alguma haverem feito que justifique essas posições? Por que uns nada conseguem, ao passo que a outros tudo parece sorrir? Todavia, o que ainda menos se compreende é que os bens e os males sejam tão desigualmente repartidos entre o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram, ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus. Entretanto, desde que admita a existência de Deus, ninguém o pode conceber sem o infinito das perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder, toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a aludida causa, por meio do Espiritismo, isto é, pela palavra dos Espiritos.

KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - FEB - Capítulo 5, itens 1 a 3.
Publicado pelo site:  ( Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense) – 25/04/2014

rosanemerat · 268 vistos · 0 comentários
Categorias: Reencarnação
04 Out 2012 

A reencarnação acha-se claramente expressa nos textos sagrados. Muitas são as passagens do Velho e Novo Testamentos que nos servem para elucidar tal afirmativa.

Podemos ainda dividi-las em partes que nos mostrem seu caráter provacional, evolutivo, missionário e, acima de tudo, como Lei Divina.

A seguir analisamos algumas passagens:

Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. (Isaías, 26: 19)

Está clara nesta passagem a afirmativa reencarnatória, e como Lei, muito bem definida.

A crença nos renascimentos era vista entre os judeus sob o nome de ressurreição.   Por isso o Profeta usa este termo, mas no fundo quer dizer a mesma coisa, ou para ser mais preciso, no seu sentido de renovação para uma nova vida, logo, a ressurreição é um objetivo da reencarnação.

Isaías diz que os mortos viverão, isto não pode ser entendido como viverão após a vida terrena, porque senão ele diria: ainda vivem. O termo viverão quer dizer tornar a viver; e para completar, e a terra lançará de si os mortos, nos dá claramente a idéia de voltar ao corpo de carne.

E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és
Mestre vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se
Deus não for com ele.

Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabe donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?

Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre em Israel, e não sabes isto? (…) (João, 3: 1 a 10)

Esta é a passagem clássica em que o texto evangélico mostra a reencarnação com o objetivo de chegar à perfeição; aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.

Jesus não podia ser mais claro no sentido de afirmar a necessidade reencarnatória.  E diante da ignorância de Nicodemos, Ele explica: nascer da água e do Espírito (…)

A água sempre foi tida como o início da vida. Na Cabala hebraica, a água era a matéria primordial; o elemento frutificador.

Na Gênese mosaica, o autor diz que no princípio, o Espírito de Deus se movia sobre as águas. (Gênesis, 1: 2)

E este ensinamento é também dado por Emmanuel:

O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre (…) Os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminóides, as amebas e todas as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos.

Os modernos conhecimentos científicos atestam que as primeiras formas de vida, desde a concepção, se fazem no ambiente aquoso, seja a própria constituição do gameta feminino como o masculino, de cuja fusão (água) nasce o novo corpo, que adquirindo personalidade diversa da que possuía antes (espírito), recomeça o cadinho purificador, expungindo males e sublimando experiências para entrar no reino do Céus.

Logo, nascer da água, significa reencarnar, e nascer do Espírito, é renovar, melhorar, evoluir.

E é por isso, já ser conhecido dos judeus daquela época, que Jesus diz: Tu és mestre em Israel, e não sabes isto?

E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. (João, 9: 1 a 3)

Os discípulos de Jesus também já criam na pluralidade das existências, se assim não fosse, não fariam tal pergunta: quem pecou, estes ou seus pais. Jesus mostra que este não era um caso de pecado (expiação), mas de missão: foi assim para que se manifeste nele as obras de Deus. Se para Jesus a reencarnação não fosse uma realidade, teria dito aos seus discípulos claramente ali naquele instante, mas não foi isso que Ele fez, muito pelo contrário, achou o Mestre naquele instante, oportunidade para nos ensinar sobre um outro tipo de reencarnação. Trata de uma reencarnação em bases de cooperação. Quando não temos mais nada a expiar podemos trabalhar como servidores do Senhor, e pedirmos a oportunidade de uma reencarnação com o objetivo de cooperarmos com a aplicação da lei divina. Além de ter sido educativo para aquele que vestiu-se de cego, deu a oportunidade que Jesus operasse a cura, e nos deixasse mais um valioso ensinamento.

E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas; mas digo que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem.

Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista. (Mateus, 17: 10 a 13)

Nesta passagem fica claro que João Batista era Elias reencarnado. João era um Espírito de alta envergadura. Vinha com a missão de ser o revelador do Mestre, aquele que iria fazer a passagem da revelação de Justiça para a revelação do Amor.

Mas existe também em seu processo reencarnatório um caráter expiatório.

Considerando a severidade com que Elias tratara os adoradores do deus Baal, mandando-os passar a fio de espada, pela espada padeceu, ao impositivo das paixões de Herodíades e do terrível medo do reizete Herodes.

Muitas outras alusões à lei da reencarnação são feitas nos textos bíblicos, mas cremos que somente estas já se prestam ao objetivo deste trabalho.

Livro:  Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site:  www.autoresespiritasclassicos.com
Livros Pesquisados:
“Cristianismo e Espiritismo”.
“A Caminho da Luz”, cap. II.
“Estudos Espíritas”, cap. 8.



rosanemerat · 773 vistos · 0 comentários
Categorias: Artigos, Reencarnação
06 Set 2012 

1 – Conceito e visão de outras Doutrinas Espiritualistas


Reencarnar quer dizer encarnar outra vez, ou seja, tomar de novo um corpo de carne.

Só pode aceitar a reencarnação quem aceita a existência do Espírito e a vida futura, porque aquele que duvida de uma destas duas afirmativas, não pode jamais aceitar a volta do Espírito a um outro corpo de carne. Logo para tratarmos deste assunto, pressuporemos que todos com quem estamos tratando, sejam defensores destas duas idéias.

Usa-se também o termo palingenesia para designar tal fato. Esta palavra é etimo-logicamente originária do grego: palin = de novo, e gênesis = geração; ou seja, nascer de novo.

A reencarnação é assunto tão antigo, que vários povos já a tinham como realidade, não só nos setores religiosos, mas também nos da Filosofia.

Podemos seguramente afirmar que a história da reencarnação se confunde com a própria história da evolução do pensamento religioso.

Na Índia, desde remotíssima antigüidade, de que nos dão notícias os Vedas e o Bhagavad-Gitâ, o conhecimento da reencarnação era sobejamente divulgado através dos cantos imortais da formação moral e cultural do homem.

O Bramanismo e o Budismo nela se inspiraram.

Encontramos no Mazdeismo, antiga religião Persa, o Espírito encontrando a bem aventurança final, não sem ter antes passado por uma purificação progressiva através de provas expiatórias.

No Egito, a doutrina das transmigrações também era conhecida. Ao nascer, o egípcio era representado por duas figuras, uma era a sua personalidade e a outra seu duplo. Durante a vigília, as duas se confundem, mas durante o sono, ao passo que uma descansa, a outra se lança no mundo dos sonhos.

Na cultura grega, foi Pitágoras quem a introduziu após suas viagens realizadas junto aos egípcios e persas. Vamos encontrá-la ainda nos poemas órficos, em Sócrates, Platão, Empédocles etc.. Ela é afirmada com clareza no último livro da “República”, em “Fedra”, em “Timeu” e em “Fédon”.

É certo que os vivos nascem dos mortos e que as almas dos mortos tornam a nascer. (Fedra)

Alma é mais velha que o corpo. As almas renascem incessantemente do Hades para tornarem à vida atual. (Fédon)

Sófocles como Aristófones também adotaram a mesma crença.

Virgílio, Ovídio e Cícero, pensadores romanos, infiltraram-na em suas lições. Virgílio, na Eneida, assevera que a alma, mergulhando no Letes, perde a lembrança das suas existências passadas.

Os druídas apoiavam toda a sua filosofia na justiça palingenésica.

A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. A Bíblia dá reiteradas confirmações disto. Somente os Saduceus, que eram os materialistas da época, não criam nela. Mas as idéias dos judeus sob este ponto não eram muito claras. Acreditavam eles que o homem que vivera, podia renascer, mas não sabiam precisar como.

Os primeiros padres da Igreja, como Orígenes e S. Clemente de Alexandria, eram adeptos da idéia reencarnacionista. S. Gregório de Nysse chega a afirmar que há necessidade natural para a alma imortal de ser curada e purificada e que, se ela não o foi em sua vida terrestre, a cura se opera pelas vidas futuras e subseqüentes. Todavia, a Igreja não podia conciliar seus dogmas e artigos de fé, armas imprescindíveis que eram para o poder desta instituição, com a justiça da doutrina reencarnacionista.

Assim sendo, no Concílio de Constantinopla em 553, os maiorais da Igreja tiraram definitivamente a idéia da reencarnação, toda aceita entre os primeiros Cristãos, de seu corpo doutrinário.

Com isto, o que a Igreja fez foi afastar ainda mais os homens de bom senso do Criador, porque ao invés de uma doutrina simples e clara a respeito da imortalidade da alma e da vida futura, edificou todo um complexo conjunto de dogmas, lançando o homem na obscuridade e no completo desconhecimento de seu destino.

Desta forma, a reencarnação desaparece temporariamente das cogitações filosóficas ocidentais, ainda que alguns pensadores medievais tenham tido o atrevimento de entregar-se aos estudos destes conceitos. O que lhes valeram pela intolerância e ignorância religiosa, muitas vezes, a perda da própria vida.

Apesar da idéia reencarnacionista, como vimos ser de todos os tempos, foi só nos meados do século XIX, com a Codificação Espírita, que tal doutrina recebeu uma explicação lógica e um inegável bom senso. A partir dos estudos dos pioneiros do Espiritismo, pudemos entender melhor sua fundamentação, sua justiça, seu mecanismo, e a comprovação bíblica deste misericordioso artigo da Grande Lei.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho

Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997

Site: www.autoresespiritasclassicos.com

Livro: “Estudos Espíritas”, cap. 8.


rosanemerat · 734 vistos · 0 comentários
Categorias: Artigos, Reencarnação
06 Set 2012 

Em que se fundamenta?


Segundo os Espíritos codificadores, na resposta da questão 171 de “O Livro dos Espíritos”, a doutrina reencarnacionista se fundamenta na própria Justiça Divina.

Na análise do conteúdo desta resposta, verificamos que se não fosse a oportunidade reencarnatória, Deus estaria privado de um de seus atributos: a justiça, e conseqüentemente já não seria Deus.

Para facilitar o nosso raciocínio, citamos a seguir um texto em que Kardec disserta sobre a lógica da pluralidade das existências:

Se não há reencarnação, só há, evidentemente, uma existência corporal. Se a nossa atual existência corpórea é única, a alma de cada homem foi criada por ocasião do seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma, caso em que caberia perguntar o que era ela antes do nascimento, e se o estado em que se achava não constituía uma existência sob forma qualquer. Não há meio termo: ou a alma existia, ou não existia antes do corpo. Se existia, qual a sua situação? Tinha ou não consciência de si mesma? Se não o tinha, é quase como se não existisse. Se tinha individualidade, era progressiva ou estacionária? Num e noutro caso, a que grau chegara ao tomar o corpo? Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, ou, o que vem a ser o mesmo, que antes de encarnar, só dispõe de faculdades negativas perguntamos:

1º) Porque mostra a alma aptidões tão diversas e independentes das idéias que a educação lhe fez adquirir?

2º) Donde vem a aptidão extranormal que muitas crianças em tenra idade revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres durante a vida toda?

3º) Donde, em uns, as idéias inatas ou intuitivas, que noutros não existem?

4º) Donde em certas crianças, o instinto precoce que revelam para os vícios ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?

5º) Por que abstraindo-se da educação, uns homens são mais adiantados do que outros?

6º) Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes de um menino hotentote recém-nascido e o educardes nos nossos melhores liceus, fareis dele algum dia um Laplace ou um Newton?

Através deste raciocínio kardequiano, vimos acima de tudo que a reencarnação é fundamentada na justiça divina, e que assenta na mais perfeita lógica e no maior bom senso.

Provas da Reencarnação

Mas que provas podemos ter da reencarnação, além destas explícitas neste raciocínio?

Podemos dividir estas provas em duas categorias: provas filosóficas e provas experimentais.

a) Filosóficas

Como entender a justiça divina, sem aceitar o princípio reencarnatório? Por que nascem uns pobres e outros ricos? Uns desfrutam da maior saúde, outros lutam a vida toda com várias doenças. Há os que vivem muitos anos, e os que vivem poucos meses ou dias. E como a justiça divina irá julgar estes que não tiveram tempo para serem nem bons nem maus. Irão para o céu ou para o suplício eterno?

Há também a questão do progresso. Por que a humanidade de hoje é mais adiantada intelectual e cientificamente do que a passada? Poderão dizer que a sociedade é que faz o homem assim. Mas como explicar a diferença brutal que existia entre a capacidade de um homem primitivo e a do homem atual, se ambos fossem criados no instante do nascimento, e suas conquistas para nada servissem?

Nos dêem explicações melhores para estes e outros questionamentos e abandonaremos nossas certezas reencarnatórias.

b) Experimentais

Entre as provas experimentais, podemos citar a fenomenologia mediúnica com todas as suas nuanças. A comunicação dos Espíritos por si só prova a imortalidade da alma e, conseqüentemente, a possibilidade reencarnatória, mas é o conteúdo destas comunicações que nos dizem da certeza desta doutrina.

Temos ainda o aspecto relacionado com a regressão da memória, hoje bastante difundido nos meios cientificistas e não espíritas. A partir desta possibilidade vemos a incursão do ser em muitos momentos de suas existências pregressas.

E para finalizar as questões das provas, podemos ainda falar das lembranças de outras vidas, faculdade bastante rara, mas que já aconteceu com muitas pessoas.

Sobre este assunto indicamos a leitura do livro A Reencarnação de Gabriel Delanne, do qual tiramos, para ilustração, a narrativa abaixo, dentre tantas outras existentes nesta obra:

Há cinqüenta anos, duas crianças nasceram em uma aldeia chamada Okshitgon, um rapaz e uma menina. Vieram ao mundo no mesmo dia, em casas vizinhas, cresceram juntos, brincaram juntos, amaram-se.

Casaram-se e fizeram uma família (…)

A morte os levou no mesmo dia; enterraram-nos fora da aldeia, depois os esqueceram (…)

Nesse ano, após a tomada de Mandalay, a Birmânia inteira sublevou-se (…) Tristes tempos para os homens pacíficos, e muitos, fugindo de suas habitações, refugiavam-se nos lugares mais habitados (…)

Okshitgon estava nos centros de um dos distritos mais castigados; grande números de seus habitantes fugiram, e entre eles um homem chamado MaungKan e sua jovem mulher. Eles se estabeleceram em Kabyn. Tiveram dois filhos gêmeos, nascidos em Okshitgon, pouco antes de abandonarem o lar. O mais velho chamava-se Maung-Gyi, isto é, Rapaz Grande. As crianças cresceram em Kabu e começaram logo a falar. Seus pais notaram com espanto que, durante os brinquedos, chamavam-se, não Maung-Gyi e Maung-Ngé, mas Maung San Nyein e Ma-Gyroin; este último é nome de mulher; Maung Kan e a esposa lembraram que assim se chamavam os cônjuges falecidos em Okshitgon, na época em que as crianças nasceram.

Eles pensavam, pois, que as almas daqueles defuntos haviam entrado no corpo dos filhos, e os levaram a Oksitgon, para os experimentar. As crianças conheceram toda Okshitgon, estradas, e casas e pessoas; chegaram a reconhecer as roupas que vestiam na vida anterior.

Não havia dúvidas. Um deles, o mais moço, lembrou-se de ter tomado emprestado duas rupias a um certo Ma-Thet, sem que seu marido o soubesse, quando era Ma-Gyroin, e essa dívida não fora saldada. Ma-Thet vivia ainda. Interrogaram-no e ele se lembrava, com efeito, de haver emprestado esse dinheiro.

(…) O menino mais velho (…) é um bom burguês, gordo rechonchudo, mas o gêmeo cadete é menos forte e tem uma curiosa expressão sonhadora. Contaram-me muitas coisas da vida passada. Disseram que, depois da morte, viveram, algum tempo, sem corpo nenhum, errando no espaço, ocultando-se nas árvores, e isso por causa dos pecados; e, alguns meses depois, nasceram gêmeos (…)

Objetivo da Reencarnação

Já sabemos que o Espírito reencarna, e que a reencarnação se fundamenta na Justiça Divina. Mas por que o Espírito reencarna? Com que fim?

Allan Kardec também perguntou isto aos Espíritos. Porém, pela sua capacidade didática, fez duas perguntas:

132 – Qual o objetivo da encarnação?

“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é expiação; para outros missão.”

167 – Qual o fim objetivado com a reencarnação?

“Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde a justiça?”

Analisando o conteúdo destas duas respostas temos: o objetivo principal da encarnação dos Espíritos, ou da reencarnação, é a evolução: Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Acontece que em uma vida só não dá para cumprir tal objetivo. O que representa sessenta ou oitenta anos para uma pessoa, em relação ao aprendizado de todas as coisas para que ela chegue à perfeição?

Assim sendo, reencarnando inúmeras vezes, quantas forem necessárias, o Espírito atinge o objetivo primordial de sua existência.

Desta forma, entendemos que expiar não é o objetivo da reencarnação, mas pode vir a ser se o Espírito não quiser evoluir pelo caminho natural do bem.

Trocando em miúdos: o Espírito só passa pela expiação quando quer, ou seja, quando não quer seguir as Leis Divinas.

Como já vimos anteriormente, a evolução também é uma Lei de Deus; portanto o Espírito tem de evoluir, consciente ou inconscientemente. Quando ele entende isso e busca esta evolução por conta própria, ele a faz sem dor. A expiação só entra na história, quando a rebeldia fala mais alto, quando ele, sabendo qual caminho a seguir, escolhe outro.

Assim, provocando sofrimento em seus semelhantes, o ser estaciona. Como ele tem de evoluir, passa pelo sofrimento como que para despertar a centelha divina que existe dentro de si, que o induz ao aperfeiçoamento.

É aí que entendemos a misericórdia que é a oportunidade reencarnatória; não é à toa que Emmanuel nos afirma:

Cada encarnação é como se fora um atalho nas estradas da ascensão. Por esse motivo, o ser humano deve amar a sua existência de lutas e amarguras temporárias, porquanto ela significa uma bênção divina, quase um perdão de Deus.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho

Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997

Site: www.autoresespiritasclassicos.com

Livros Pesquisados:

“O Livro dos Espíritos”, questões: 222, 132 e 167

“A Reencarnação”, cap. XI.

“Emmanuel”, cap. 5.


rosanemerat · 622 vistos · 0 comentários
Categorias: Artigos, Reencarnação