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29 Dez 2008 
A Extraordinária Força da Fé
Potência pessoal vem do reconhecimento da própria capacidade.
"Não te apartes do Senhor, espera pacientemente n'Ele e Ele te dará o que deseja o teu coração." - Salmos, 37:4. 

Nas anotações de Marcos (11:24), lemos as seguintes palavras proferidas por Jesus: "Seja o que for que peçais na prece, crede que o obtereis e concedido vos será o que pedirdes". 

Segundo o Mestre Lionês (Allan Kardec), 

"(...) Fora ilógico deduzir que basta pedir para obter e fora injusto acusar a Providência se não acede a toda súplica que se Lhe faça, uma vez que ela sabe, melhor do que nós, o que é para nosso bem. É como procede um pai criterioso que recusa ao filho o que seja contrário aos seus interesses. Em geral, o homem apenas vê o presente; ora, se o sofrimento é de utilidade para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura. 

O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante idéias que fará lhe sugiram os bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste aos que ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: 'Ajuda-te, que o Céu te ajudará': não assiste, porém, os que tudo esperam de um socorro estranho, sem fazer uso das faculdades que possui. Entretanto, as mais das vezes, o que o homem quer é ser socorrido por milagre, sem despender o mínimo esforço." 

TODAS AS COISAS COOPERAM JUNTAS AO BEM DE QUEM A DEUS AMA 

Em muitas ocasiões, as atitudes de Jesus eram de exaltação à fé, sempre procurando levar a criatura a explorar os seus potenciais íntimos a benefício de si mesma. 

Também podemos, no âmbito da fé, aplicar as Suas palavras, quando disse: "Ao que tem muito, mais se lhe dará; e ao que tem pouco, o pouco lhe será tirado." 

Ao propagar o conceito inscrito no Templo de Delfos, na Grécia, o célebre "Conhece-te a ti mesmo", Sócrates ofereceu-nos a rota da emancipação das fobias, ao mesmo tempo em que nos acorda para a sedimentação da confiança, ou seja, da fé... 

O notável escritor Rodolfo Waldo Trine afirmou que se educarmos devidamente as nossas forças interiores, dinamizando o potencial que jaz latente em nossa intimidade, terminaremos por acondicionar nossa Vida ao que desejamos que ela seja. E disse mais: 

SEJA DONO DE VOCÊ MESMO 

A criatura que reconhece a si mesma como ser espiritual, ligada às forças divinas, é uma criatura potente... 

Concentrada no Infinito, se acha desse modo em relação consigo mesma e tem como que jungido à sua criatura o grande poder do Universo. Atrai, sem cessar, toda classe de forças, porque, concentrada e conhecedora de si mesma, consciente de seu próprio poder, dimana de sua mente os mais poderosos e sadios pensamentos. E, por ação da Lei de reciprocidade, onde cada coisa atrai a seu semelhante, atrairá a si mesma - continuamente -, e de todas as partes, em virtude da sintonia desses pensamentos, outros e outros igualmente vigorosos, ficando dessa forma unida com os da mesma ordem em todo o Universo. 

Assim, ao que tem lhe será dado. Isso é simples efeito de uma Lei Natural, Lei essa realçada por Jesus e que poucos compreenderam. 

Dos pensamentos vigorosos, positivos e edificadores, resultam os êxitos felizes em todas as ocasiões, e de todas as partes chegam auxílio e ajuda. Seu ideal vai se revestindo de forma tangível e manifestando-se no mundo físico pelo efeito de pensamentos sãos e vigorosos. As silenciosas e invisíveis forças que ocultamente atuam, se manifestarão cedo ou tarde no mundo visível. 

O terror e outros efeitos deprimentes nunca se apoderarão de um homem dono de si mesmo, pois ele os rechaçaria sem deixar-se influenciar por eles, e muito menos consentiria em atraí-los, pois como as correntes de seus pensamentos habituais são distintas e contrárias, não dará guarida em seu ser à fraqueza, ao pessimismo e tampouco à vacilação. 

Quem, ao contrário, não saiba ser dono de si mesmo, não só verá debilitadas e, ainda, paralisadas suas energias corporais pelo temor e outras emoções geradas por seu estado de ânimo, como também se relacionará com esta ordem de emoções no mundo exterior. E no grau que assim lhe suceda, chegará a ser vítima da debilidade, do temor e de todos os pensamentos e emoções negativas que flutuam ao redor de sua órbita psíquica. 

Assim, em vez de acrescentar seu poder, acrescentará sua fraqueza. 

Os pensamentos vigorosos, ao mesmo tempo que edificam, atraem do exterior outros semelhantes. O valor engendra fortaleza; e o medo, debilidade. Daquele nasce o êxito, e deste o fracasso. 

O homem valoroso e intimorato afronta todas as circunstâncias da Vida e afiança seu poder contra as adversidades do mundo. 

O homem sem fé e, em conseqüência, deprimido e paralisado pelo medo, é joguete de qualquer circunstância da vida. 

No interior de cada um reside a causa de tudo o que lhe pode acontecer, e cada qual tem em sua mão a possibilidade de determinar o que lhe suceda. 

Todas as coisas do universo material e visível têm a sua origem no mundo espiritual e invisível, no mundo dos pensamentos. Este é o mundo das causas, aquele o dos efeitos. A natureza do efeito depende da natureza da causa. O que uma pessoa vive no seu mundo invisível dos pensamentos é o que realizará continuamente no seu mundo material e visível. E se quisesse estabelecer condições diferentes no segundo, deve antes fazer as necessárias mudanças no primeiro. 

O conhecimento desta verdade tiraria milhares de criaturas do abismo da desesperação e aprovisionaria saúde, vigor a abundância aos milhares de homens que gemem e choram na enfermidade, na fraqueza e na penúria... Com isso, obteriam a paz e a alegria o que hoje jazem no pântano do sofrimento e da dor e na desdita do mal. 

Disse Virgílio: "Os que crêem que podem, esses realmente podem." Essa aatitude da mente infundirá poder espiritual no corpo, dando-lhe a força e a resistência necessárias para o triunfo. 

Agarrremos, portanto, com veemência, os pensamentos vigorosos, saudáveis, otimistas, de confiança e consideremo-los como sementes. Plantemo-los na consciência e cultivemo-los. Pouco a pouco cobrarão vigor em todas as partes, focalizando e ativando a força espiritual interior que se dissipava e perdia. Além disso, atrairão outras forças do mundo exterior, o auxílio de outros pensamentos da mesma natureza, isto é, vigorosos, fortalecedores, cooperadores... Desse modo, poderemos até nós esta ordem de pensamentos e relacionar-nos com eles. 

Se com fé e ardor assim o desejamos, pronto chegará o dia em que todos os temores se terão desvanecido, e em vez de personificarmos a fraqueza e escravizarmo-nos às circunstâncias, seremos donos delas, encontrando em nós mesmos a fortaleza para resistir às vicissitudes que formam o cortejo de óbices em nossos caminhos evolutivos. 

Em nossa Vida diária, necessitamos de fé na eficácia do bem, fé em Deus Infinito, fé em nós mesmos... E ainda quando às vezes nos pareça que falha esta fé e as coisas se nos apresentam envoltas em escuridão, nos bastará recordar que o Poder Supremo cuida de nós como dos Sóis, dos Mundos, do Espaço Infinito, e nos dará a suprema fé na qual poderemos arrimar-nos confiantes. 

Já vaticinava Isaías (Isaías, 26:3): "Manter-se-á em perfeita paz aquele que em Deus ponha o pensamento." 

Nada há mais firme, nem mais seguro, nem mais certo que Deus. Assim, pois, quando reconhecermos que de nossa vontade depende a compatibilidade cada vez mais completa com esse Poder Infinito e pedindo que tal poder se manifeste através de nós mesmos, encontrar-nos-emos cada vez mais acrescentados do sentimento de poder, já que por esse meio viveremos em harmonia com Deus. 

Assim nos encaminharemos ao reconhecimento de que todas as coisas cooperam juntas ao bem de quem a Deus ama. Então o temor e os pressentimentos que em outro tempo nos dominavam, se transmudarão em fé. E a fé retamente compreendida e acertadamente empregada, é uma força a que nada nem ninguém pode resistir. 

Assim, compreendemos que viver em harmonia com as Leis Divinas é garantir a felicidade e a paz hoje e amanhã, afastando em definitivo de nosso caminho as angústias e as fobias que em todos os tempos atormentaram e inibiram as criaturas sem fé, ou de fé vacilante, inócua. 

"Credes em Deus, credes também em mim." 

Por que temer as procelas se Jesus está no leme? 

Abençoada seja a novel Doutrina dos Espíritos, que a todos enseja a inabalável fé que a razão enfrenta frente a frente em todas as épocas da Humanidade". 

Rogério Coelho - "Revista Internacional de Espiritismo" -
Dezembro/2000 - Págs. 486/487.
Site:  Espiritismo Nosso Lar

29 Dez 2008 
A Compaixão
Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão.

Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo.

Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando- se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores.

Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes.

Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime.

Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade.

Movimentando- se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar, que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais estreitos e egotistas.

A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição.

é o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal.

O individualismo é-lhe a grande barreira, face a sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em todos os indivíduos.

A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana.

É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais, que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades.

Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração.

Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta.

Expandir esse sentimento é dar significação à vida.

A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apieda.

Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos.

Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para a s lamentações pessoais.

Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra.

Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, o mundo, e,compadecendo- te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder.

Pelo Espírito de:  Joanna de Ângelis
Psicografado por:  Divaldo Franco
Livro:  Responsabilidade           Editora LEAL
Site:  Grupo Espírita Renascer

29 Dez 2008 
Momentos de Aflição e Prova
Momentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser.
Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranqüilas que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna perigosa, objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente; saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante;adversários vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos, que aparecem, constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança, na Terra, sem os experimentar.

Enquanto domiciliado no corpo, espírito algum se encontra em segurança, vitorioso, isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos.

Os momentos de prova e aflição constituem recursos de aferição dos valores morais de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivos. 
Por isso, todos somos atingidos por tais métodos de purificação.

Vigia-te. no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo.

Suporta o vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita diante do sofrimento com elevação de sentimentos.

Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros; os de paz e compreensão.

Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta.

São os instantes difíceis que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir as fortalezas íntimas.

Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração.

Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando- te espiritualmente.

Jesus, que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da Terra, enquanto conosco não esteve isento dos momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los a todos, e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar do aparente mal as proveitosas lições da felicidade.

Considera-Lhe os testemunhos, e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta as circunstâncias e extrai do amor a parte melhor da tua tarefa de santificação.

Pelo Espírito de:  Joanna de Ângelis
Psicografado por:  Divaldo Franco
Livro:  Oferenda  Editora LEAL
Site:  Grupo Espírita Renascer

29 Dez 2008 
O Messias Eperado
O Messias era esperado, e ainda é, pelos Judeus, para chefiar um povo. Há dois mil anos, os judeus dominados pelos romanos esperavam o Messias que os livraria da cativeiro. Pensavam na libertação material ou até em vitórias sobre outros povos, também seus irmãos.

  Jesus veio para a libertação do espírito, para nos dar conhecimento da vida eterna, levando-nos a amar a Deus e a todos como irmãos.

  Muitos ainda não entenderam seus ensinamentos e há os que até os distorcem de acordo com seus interesses.

  Muitos esperam outros messias, santos, espíritos superiores que poderão encarnar na Terra para lhes facilitar sua vida material.

  Poucos são os que conhecem ou aceitam os muitos missionários que estão entre nós - aqueles que oferecem a libertação, não das dificuldades e problemas materiais, mas a libertação do espírito. São os que revivem com pureza e simplicidade os ensinos do Mestre nazareno.

  Muitos são os cativos dos vícios, da ignorância, que ainda não receberam, ou não quiseram, os esclarecimentos verdadeiros de Jesus.

  A Doutrina Espírita nos faz compreender os ensinamentos morais de Jesus de forma clara, raciocinada, levando-nos a mudanças na forma de viver e de pensar.

  Quando conhecermos a Verdade, ela nos tornará livres.


Pelo Espírito: ANTÔNIO CARLOS
Psicografia: VERA LÚCIA MARINZECK DE CARVALHO
Do livro: SEJAMOS FELIZES
Site:  Grupo Espírita Renascer

28 Dez 2008 
Vontade: Ferramenta da Evolução
Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez;e se cada uma das quais fosse escrita,cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém.
(João, 21:25)

Jesus não perdia a menor oportunidade para ensinar; qualquer situação, qualquer momento, aparentemente insignificante, suscitava para Ele lições de extremada importância para a Humanidade. O tempo urgia, não podia tergiversar. Cada momento tinha o seu valor. 

Uma dentre tantas lições de profundeza moral merece destaque especial (Marcos, 11:12 a 14; 19 a 26): 

E no dia seguinte, quando saíram de Betânia teve fome. E vendo de longe numa figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa: e chegando a ela não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. 

E Jesus falando, disse à figueira: nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto. (...) 

E sendo já tarde saiu fora da cidade. E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira que tu amaldiçoaste secou. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque, em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhes será feito. Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis; E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas; Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas." 

É interessante observar que, nessa belíssima passagem evangélica, de profunda significação, Pedro não compreendeu de imediato a lição do Mestre, ele sentiu apenas o que seus sentidos registraram, e assim entendeu a atitude de Jesus como se fosse uma maldição. 

O divino Amigo, todavia, não tinha tempo a perder, não tentou sequer justificar-se. Ele, a personificação do Amor, jamais prejudicaria quem quer que fosse; quanto mais uma inofensiva árvore, por não ter frutos fora de época. Ele tinha conhecimento de todas as leis da Natureza e em instante algum as transgrediria. 

A atitude de Jesus descortinou, como em tantos outros momentos, a sabedoria do Grande Mestre: demonstrar na prática o poder que o homem carrega dentro de si; poder esse que, usado à revelia, pode causar malefícios irreversíveis não só contra a Natureza, mas também contra si e os semelhantes. 

(Sabe-se hoje, através de estudos e também pela revelação dos Espíritos, o poder que o pensamento armazena e se expressa pelas palavras. E, de acordo com a emoção, o vigor veiculado, emite jatos de energia magnética na direção do sujeito ou objeto focalizado.) 

Primeiro a lição prática: Jesus usou a vontade, através das palavras, para secar a figueira. Deu um tempo suficiente e retornou para completar a lição por meio da teoria. 

É então que ressalta o poder da palavra quando pronunciada com fé somada ao poder da oração: "Tende fé em Deus (...), tudo que pedirdes orando crede que o recebereis e tê-lo-eis..." 

Mas não deixa de alertar sobre a importância do perdão: "(...) e quando estiverdes orando perdoai se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas." 

Neste alerta está nitidamente expressa a força poderosa da Vontade. Jesus usou-a. Os homens podem também usá-la. A tarefa que aguardava os Seus discípulos exigia um grande esforço interior, muita vontade, e bem dirigida, para prosseguirem até o fim. 

Logo em seguida, completando o alerta, o Mestre conclui: (...) mas se vós não perdoardes, também vosso Pai que está nos céus vos não perdoará as vossas ofensas." 

Nessa conclusão, Jesus esclarece que os atos oriundos de qualquer ofensa não serão perdoados. Portanto, cada ação é da responsabilidade de seu autor perante as divinas leis. 

O Homem encarnado, em sua tríplice composição - corpo, perispírito, Espírito -, ainda desconhece o potente manancial fluídico que possui. Assim sendo, usa-o às cegas, como a criança que não avalia o perigo que representam certos elementos e objetos nas próprias mãos. 

O perispírito, corpo fluídico do Espírito, está intimamente ligado ao corpo físico e ao Espírito; assim sendo, conduz o pensamento que se exterioriza sob o comando poderoso e autoritário da vontade. 

A atividade constante, dinâmica, ininterrupta do pensamento, sob esse comando, age vigorosamente sobre a atmosfera do ambiente em que atua; sobre as pessoas com as quais convive; sobre o próprio corpo espiritual, que, por sua vez, reflete no corpo físico e no Espírito. A reação se apresenta de acordo com a qualidade da emissão - boa ou má, superior ou inferior, construtiva ou destrutiva, viciosa ou edificante - que será multiplicada pelo tipo de companhia espiritual que possa atrair. 

Assim, pensamentos, palavras de amor, ternura, piedade projetam energias salutares que impregnam a atmosfera em que se respira: 

Deus te abençoe! Tenha um bom dia! Tudo vai dar certo! Esse procedimento atrai os bons Espíritos que, por sua vez, colaboram na emissão de energias enriquecedoras. 

Todavia, pensamentos e palavras de ódio, raiva, deboche, revolta, projetam energias deletérias: 

Maldição! Vá pro inferno! Nada dá certo comigo! Todo tipo de obscenidade e palavrões. E os Espíritos infelizes são atraídos pelo magnetismo emitido, aproximam-se e colaboram na ampliação dos fluidos saturados, bem como na concretização dos pensamentos infelizes. 

Por isso, frases otimistas, cheias de fé, de esperança, reanimam. Frases pessimistas abatem o ânimo. Portanto, o estado de ânimo depende da vontade, do querer. 

Existe um axioma popular que diz: "Querer é poder!" Realmente, o querer, a vontade, são poderosos. Quando se quer com vigor, consegue-se, pois a emissão das energias é impulsionada pela vontade e dá força para reverter qualquer estado negativo, depressivo em que se encontra. Com fé, se atraem amigos espirituais e, através da oração, estabelece-se sintonia com os Planos Superiores. Por isso, Jesus afirmou: (...) qualquer que disser a este monte ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito." 

A vontade se manifesta através dos pensamentos, palavras, gestos, atos, nos momentos mais simples da vida, quando se quer, ou não se quer: falar, andar, comer, sorrir, chorar... até os atos mais complexos: pensar, refletir, progredir, amar, obedecer, estudar, criar, prejudicar, mentir, acusar, e assim por diante. 

A vontade pode ser direcionada a favor do próprio indivíduo ou contra ele, os semelhantes, a Natureza, um ideal. Para o bem, para o mal. Para construir, para destruir. 

Léon Denis define muito bem a vontade: "A Vontade é força suprema; é a própria alma que exerce o seu império sobre as potências inferiores: o uso que dela façamos determinará nosso adiantamento preparando o nosso futuro, fortificando-nos ou deprimindo-nos." ("Depois da Morte", pág. 212). 

Num outro momento, o grande estudioso da Doutrina dos Espíritos afirma: 

O poder da vontade sobre os fluidos é ilimitado e aumenta com a elevação do Espírito. No ambiente terrestre, seu poder sobre a matéria é limitado, visto que o homem não se conhece e não sabe utilizar as forças que estão nele..." (Idem, pág. 209). 

O poder da vontade se compara ao da água e do fogo: Quando bem direcionados, controlados, são os maiores indutores do progresso; porém, sem controle, sem limites, causam tragédias e destruições. 

No episódio da figueira, Jesus demonstrou o poder de destruição da vontade, e a necessidade de usá-la para o bem. Para tanto, acrescentou a fé, a oração e o perdão, para que seus efeitos se ampliassem. 

Na breve existência sobre a Terra, Seus feitos exaltaram não apenas o poder da vontade, mas também os seus benefícios: curou cegos, paralíticos, leprosos, obsidiados, acalmou tempestades, caminhou sobre as águas, suportou dores físicas e morais superlativas. Jesus manipulava os fluidos com conhecimento de causa. Assim, usou a figueira para que Seus discípulos testemunhassem a força, o manancial de energia que cada um possuía e, ao mesmo tempo, aprendessem a manipular corretamente essas energias. É preciso conhecer a ferramenta para utilizá-la com proveito. 

O mal não é criação divina. É o produto da inferioridade do homem. Deus deu-lhe as ferramentas para serem bem usadas. Quando mal utilizadas, produzem malefícios, tanto para si quanto para os semelhantes, afetando a ambiência em que vive. Assim, ao observar detalhadamente as múltiplas utilidades que uma lâmina apresenta, em suas diferentes versões, perceber-se-á que abre caminhos ásperos; facilita a vida doméstica; salva vidas e as prolonga em salas de cirurgia. Tornou-se, portanto, instrumento de sobrevivência da Humanidade. No entanto, nem sempre se imagina quanto mal, quanta desgraça acarreta quando mal empregada. Todavia, nos bastidores de toda essa dinâmica progressiva ou destrutiva a vontade se faz presente. 

A vontade, mal direcionada pelo homem, é hoje a principal causadora dos despautérios em que a Terra se debate. É necessário reverter o direcionamento de seus desejos para o bem comum, para o amor, para a fraternidade. Ninguém vive feliz projetando destruição... Pois, destruindo a seara alheia se destrói as próprias fontes de vida em que se respira. 

A demonstração do Divino Amigo para Seus discípulos foi também para a Humanidade de todos os tempos: "Nunca mais coma alguém fruto de ti." 

Nessa breve demonstração, iluminou consciências inexperientes: tudo que se destrói no presente, com certeza faltará no futuro. 

Sem vontade não se constrói, não se evolui. A vida se compõe de desafios constantes. A cada desafio vencido, uma vitória alcançada. Se a cada desafio forem somados a força da fé, o poder da oração e a plenitude do perdão, não há o que temer. A vontade bem direcionada conduzirá a alma pelos caminhos do Amor. 

Nos momentos cruciais em que as asperezas das provas enfraquecerem a vontade, é importante recordar: 

Num momento de ira, Moisés destruiu as tábuas da lei; mas, de vontade firme, armou-se de humildade, retornou à áspera tarefa e recuperou os Dez Mandamentos. 

Num momento de inferioridade, Judas traiu Jesus. 

Num instante de medo, a vontade de Pedro vacilou, e ele negou Jesus. 

Num momento de autoridade, Paulo perseguiu Jesus; todavia, num arroubo de coragem, abandonou tudo e seguiu Jesus. 

Com a vontade centrada no Divino Mestre Jesus, todos se redimiram. 

A. Merci Spada Borges - "O Reformador" -
Novembro/2000 - Págs. 336/337.
Fonte:  Site Espiritismo Nosso Lar



rosanemerat · 154 vistos · 0 comentários
Categorias: Revista O Reformador
28 Dez 2008 
Um Pouco mais de Espiritualidade
Façamos uma análise: De uma população qualquer (pode-se utilizar como medida uma cidade, um país, um vilarejo ou até o planeta), qual a porcentagem das pessoas ligadas às questões de espiritualidade? Quais os que se beneficiam da fé? Quais os que usam os magníficos recursos da ligação com Deus ou buscam refletir sobre as maravilhas da criação ou a imensidade do Universo onde vivemos? 

O que você acha? Não arrisco números, mas acho que o leitor concorda comigo que é uma porcentagem muito baixa. A maioria vive por viver, sem buscar nada, sem conhecer ou meditar sobre as belezas que nos cercam. Temas como Vida após a Morte, Imensidade do Universo, Maravilhas do Mundo Espiritual, Perspectivas futuras de evolução ou outros, parece-nos totalmente distantes dessas pessoas que não buscam esses valores. 

E isto, caro leitor, faz falta. Isto pesa na economia do planeta. Não se trata apenas de um conhecimento individual, mas que influi nas condições do planeta. Com a ausência dessas perspectivas, há um crescimento da descrença. Com esta vem a violência, o pessimismo, alterando o próprio psiquismo do planeta. 

Da mesma forma como usamos os modernos recursos tecnológicos da atualidade, a busca de mais espiritualidade tem valor preponderante na melhora do quadro geral no planeta. Sim, porque através de valores reais, aparentemente invisíveis, influenciamos o ambiente, ajudamos as criaturas e podemos, com eles, transformar a realidade. 

E isto não está ligado especificamente a nenhuma denominação religiosa. Não se trata de questão religiosa, mas de comportamento individual. De vibração pessoal, postada na esperança, na fé, na busca de Deus. No cultivo de valores espirituais, independente de crença religiosa, inerentes à criatura humana, como filho de Deus. São valores que todos possuímos, mas que são sufocados pela ambição desenfreada, pelo gozo irresponsável e inconsequente, pela valorização excessiva dos bens materiais. 

A busca de valores espirituais alimentam a alma. O cultivo deles joga longe a descrença, o desânimo, a violência. Apesar das lutas imensas da sobrevivência ou dos atritos cotidianos (em todos os níveis), inevitáveis – diga-se de passagem, estaremos todos muito mais fortalecidos para estas lutas. Quem possui ou os busca está distante da perfeição, mas os tem como valorosos instrumentos para enfrentar as dificuldades. E esta aquisição, de conquista e mérito individuais, modifica as circunstâncias. Lembre-se o leitor o quanto é bom conviver com pessoas bondosas, compreensivas, verdadeiramente humanas, que tudo fazem em favor daqueles que com elas convivem. Agora imagine uma consciência coletiva, onde todos busquem cultivar esses valores. Teremos uma sociedade modificada, melhorada, realçando valores essenciais da existência humana. 

Portanto, verificamos aí o quanto é importante na vida o cultivo de uma religião. 

Seja qual for, ela é o alimento de tua alma. Ela é o caminho para a busca da espiritualidade. É justamente através dela que você, leitor, encontrará o roteiro para buscar os valores espirituais. E se isto faz tão bem, como negá-la aos filhos? Como permanecer indiferente, deixando que eles, ao crescerem, decidam por si mesmos, qual caminho tomar? Perguntamos a eles se querem ser alfabetizados, se querem ir ao dentista, ao médico? Não, levamos e pronto. Os valores espirituais também são assim. Desde casa, desde cedo, ensiná-los a orar, a buscar a Deus através da fé e do bem. E desde cedo também, encaminhá-los ao templo de nossa fé. As riquezas do Evangelho são tesouros de Deus doados a seus filhos. E para serem usados, não para serem guardados. Usados no dia-a-dia, para que aprendamos, buscando mais espiritualidade em nossa vida ... 

Fonte:  Site Espiritismo Nosso Lar
Gentileza do Sr. Orson Peter Carrara -
"Revista Internacional de Espiritismo" - "Casa Editora O Clarim". 

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